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Quando Entender Cristo Se Torna Menos Importante Que Confiar Nele

  • Foto do escritor: Open Planning
    Open Planning
  • há 3 dias
  • 4 min de leitura

Há momentos em que é impraticável existir neste mundo.


Não digo isso a partir de uma existência protegida da dor, das perdas, das decepções ou das perguntas. Digo justamente pelo contrário. Há períodos em que a vida parece formar ao nosso redor um rodamoinho de lamentáveis episódios. Uma coisa acontece, depois outra, depois outra. E, quando tentamos compreender o sentido de tudo, encontramos perguntas para as quais simplesmente não existem respostas imediatas.


Por quê?


Por que aconteceu dessa maneira?

Por que agora?

Por que comigo?

Por que Deus permitiu?

Onde está Deus quando aquilo que acreditávamos estar seguro desmorona diante dos nossos olhos?


E talvez uma das experiências mais difíceis da existência seja descobrir que nem toda pergunta sincera receberá uma resposta rápida.


O perigo de procurar sentido para tudo


Somos treinados para encontrar explicações.


Queremos causas, responsáveis, motivos, diagnósticos e conclusões. Queremos organizar os acontecimentos dentro de alguma lógica que devolva à nossa mente a sensação de controle.


Mas existem episódios que simplesmente ultrapassam nossa capacidade de compreensão.


É exatamente nesse ponto que começa o conflito entre querer compreender Deus e decidir confiar em Deus.


A Bíblia nunca prometeu que compreenderíamos todas as coisas. Pelo contrário, ela confronta nossa pretensão de entendimento: “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor.” Isaías 55:8


Isso não transforma Deus em uma resposta conveniente para aquilo que não conseguimos explicar. Também não significa abandonar a razão.


Significa reconhecer humildemente que a razão humana possui fronteiras.


Existem perguntas diante das quais a inteligência investiga, a ciência procura, a filosofia argumenta, a teologia contempla — e, ainda assim, permanece algum mistério.


Quando o rodamoinho tenta nos puxar


O problema é que determinados acontecimentos não permanecem apenas no campo intelectual.


Eles nos atingem emocionalmente.


O rodamoinho começa a girar.


Uma perda se mistura com uma frustração. Uma decepção encontra uma preocupação. Uma notícia ruim encontra outra. Aquilo que parecia administrável começa a adquirir peso.


E então surge uma perigosa tentação: afundar tentando encontrar respostas para tudo.


É nesse momento que talvez nossa missão não seja compreender.


Talvez seja simplesmente permanecer.


Insistir.


Sim, insistir.


Há uma espécie de coragem silenciosa em continuar acreditando quando as circunstâncias não oferecem argumentos favoráveis à fé.


Porque fé não significa negar a tempestade.


Fé significa reconhecer a tempestade sem permitir que ela determine onde está o nosso fundamento.


Permanecer calmamente boiando


Gosto dessa imagem: permanecer calmamente boiando na Fé.


Quem está no meio de águas turbulentas pode cometer um erro fatal ao lutar desesperadamente contra cada movimento da água. O pânico consome energia. A agitação aumenta o desgaste.


Em determinadas circunstâncias, sobreviver exige confiar naquilo que nos sustenta.


Espiritualmente também pode ser assim.


Existem momentos em que não conseguiremos resolver tudo.


Não teremos todas as respostas.


Não conseguiremos reorganizar imediatamente aquilo que foi quebrado.


Mas ainda podemos permanecer.


Podemos orar.


Podemos abrir as Escrituras.


Podemos clamar.


Podemos silenciar.


Podemos chorar.


E podemos continuar confiando.


Permanecer não é passividade. Permanecer é resistência.


Cristo não elimina todas as perguntas


Talvez exista uma compreensão equivocada de que caminhar com Cristo significa possuir respostas para todas as coisas.


Não significa.


O próprio Evangelho apresenta homens e mulheres atravessando medo, perseguição, perdas, dúvidas e sofrimento.


O cristianismo não nos oferece uma existência esterilizada contra a dor.


Ele oferece algo muito mais profundo: uma Presença dentro dela.


Cristo não prometeu um mundo sem aflições. Ele disse exatamente o contrário: “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.” João 16:33


Essa diferença é gigantesca.


A promessa não é: “Nada acontecerá.”


A promessa é que a aflição não terá a palavra final.


A Bíblia como Porto Seguro


Quando sentimentos estão confusos, circunstâncias mudam e pessoas decepcionam, precisamos de algo que não dependa do nosso estado emocional daquele dia.


É por isso que a Bíblia se torna Porto Seguro.


Não porque funcione como um livro mágico no qual abrimos aleatoriamente uma página e recebemos uma solução instantânea.


Mas porque ela reposiciona nossa perspectiva.


Ela nos lembra quem Deus é quando nossas circunstâncias tentam redefini-Lo.


Quando tudo parece desordenado, as Escrituras devolvem um eixo.


Quando o medo aumenta, elas nos lembram da esperança.


Quando nossa compreensão termina, elas nos convidam à confiança.


E quando acreditamos estar completamente sozinhos, elas apontam novamente para Cristo.


Fé também é permanecer sem entender


Talvez tenhamos romantizado excessivamente a fé.


Falamos muito sobre vitórias, conquistas, respostas e milagres.


Mas existe uma dimensão menos celebrada e profundamente bíblica da fé: a fé que permanece quando nada mudou ainda.


A fé que continua depois da oração aparentemente não respondida.


A fé que continua quando a explicação não veio.


A fé que atravessa a madrugada.


A fé que olha para o céu e admite:


Eu não estou entendendo.


E, depois de admitir isso, acrescenta: “Mas ainda confio em Ti.


Talvez essa seja uma das declarações mais profundas que alguém possa fazer diante de Deus.


Insistir


Por isso, quando o rodamoinho vier — porque em algum momento ele vem — talvez não seja necessário vencer todas as águas.


Talvez seja necessário apenas não permitir que elas nos levem para o fundo.


Insistir.


Permanecer.


Respirar.


Orar.


Voltar às Escrituras.


E continuar boiando sobre aquilo que sabemos, mesmo cercados por aquilo que não sabemos.


Porque existem dias em que teremos respostas.


Existem outros em que teremos apenas perguntas.


Mas, em ambos, podemos ter Cristo.


E talvez seja exatamente por isso que, diante da imprevisibilidade, da fragilidade e dos inexplicáveis acontecimentos desta existência, chego novamente à mesma conclusão:


É impraticável existir sem Cristo neste mundo.


Quando não compreendo os caminhos, permaneço naquele que disse ser o Caminho.


Quando não encontro respostas, permaneço na Palavra.


Quando o rodamoinho tenta me sugar para o fundo, insisto em permanecer calmamente boiando na Fé.


Porque, independentemente do tamanho da tempestade, Cristo continua sendo o fundamento, e Sua Palavra, o Porto Seguro.

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