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Isaías 53: O Mistério que se Consumou em Cristo

Foto do escritor: Open Planning
Open Planning
24 de ago.
5 min de leitura

Vamos fazer a leitura versículo por versículo de Isaías 53, colocando de um lado a profecia e, do outro, aquilo que o Novo Testamento apresenta como seu cumprimento em Jesus.


Antes, uma chave importante: na interpretação cristã, Isaías 53 não descreve apenas como Cristo morreria, mas principalmente por que Ele morreria. O capítulo revela rejeição, substituição, expiação, justificação, morte, sepultamento, ressurreição e exaltação.


Isaías 53:1 — A incredulidade


Quem creu em nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor?


Cumprimento: João 12:37–38 cita diretamente esse versículo ao explicar por que, apesar dos sinais realizados por Jesus, muitos não creram nele.


O primeiro mistério é desconcertante: o Messias estaria diante dos homens e, ainda assim, muitos não o reconheceriam.


Isaías 53:2 — Uma chegada sem aparência de poder


Porque foi subindo como renovo perante ele e como raiz de uma terra seca…


O Servo não aparece cercado daquilo que normalmente associamos ao poder humano.


Jesus nasce em condições humildes, cresce em Nazaré e entra na história sem aparato político ou militar.


Compare com Filipenses 2:6–7.


O Reino chega quase silenciosamente.


Isaías 53:3 — O Messias rejeitado


Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores…


Cumprimento: João 1:11:


Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.


Jesus experimenta rejeição, oposição, abandono e finalmente condenação.


O paradoxo começa a aparecer: o Salvador seria rejeitado justamente por aqueles que veio salvar.


Isaías 53:4 — Ele carregaria aquilo que era nosso


Verdadeiramente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si…


Mateus faz uma conexão explícita com Jesus em Mateus 8:16–17, citando Isaías.


Mas surge aqui uma mudança fundamental.


Até esse momento poderíamos imaginar simplesmente um homem sofrendo.


Isaías revela outra coisa: Ele está sofrendo por outros.


Isaías 53:5 — O centro da profecia


Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades…


Aqui está provavelmente o coração de Isaías 53.


Observe as substituições:


Eleferido.

Nóstransgressores.


Elecastigado.

Nósrecebemos paz.


Eleferido.

Nósalcançamos cura.


Pedro praticamente interpreta esse versículo em 1 Pedro 2:24: “Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro…


Não é apenas sofrimento.


É substituição.


Isaías 53:6 — A troca


Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas… mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos.


Talvez aqui esteja o mecanismo espiritual mais profundo do capítulo.


Isaías apresenta dois movimentos: nossa iniquidade → sobre Ele e, posteriormente, sua justiça → em favor de muitos.


Paulo desenvolve algo semelhante em 2 Coríntios 5:21.


É a lógica da substituição: o culpado não consegue salvar a si mesmo; o Justo ocupa seu lugar.


Isaías 53:7 — O silêncio do Cordeiro


Como cordeiro foi levado ao matadouro… não abriu a sua boca.


Séculos depois, durante o julgamento de Jesus: Mateus 27:12–14 relata que Ele não respondeu às acusações de modo que Pilatos ficou admirado.


E aqui aparece a figura do: Cordeiro.


Isso se conecta diretamente com João Batista: João 1:29: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.”


Isaías está aproximando o Messias da linguagem dos sacrifícios.


Isaías 53:8 — Sua morte


Foi cortado da terra dos viventes…


Agora não há apenas sofrimento.


morte.


O Servo seria eliminado da terra dos vivos.


A crucificação de Cristo realiza exatamente esse elemento fundamental da profecia.


Mas observe algo extraordinário: Isaías ainda continuará falando sobre Ele depois de sua morte.


Isaías 53:9 — O detalhe do túmulo


Este é um dos detalhes mais impressionantes.


Designaram-lhe a sepultura com os perversos, mas com o rico esteve na sua morte…


Jesus morre entre criminosos.


Mas seu corpo não termina numa sepultura comum destinada aos condenados.


Surge José de Arimateia.


Mateus faz questão de dizer: “um homem rico de Arimateia, chamado José…” — Mateus 27:57


José coloca Jesus em seu próprio túmulo novo.


Isaías havia colocado duas imagens aparentemente contraditórias: morte entre perversos mas sepultamento associado a um rico.


A narrativa da crucificação reúne exatamente essas duas circunstâncias.


Isaías 53:10 — Aqui surge o grande mistério


Isaías acabou de dizer que o Servo morreu.


Mas agora declara: “verá a sua posteridade, prolongará os seus dias…


Espere.


Ele morreu no versículo anterior.


Como alguém morto poderia: ver descendência, prolongar seus dias, e continuar realizando a vontade de Deus?


É aqui que a interpretação cristã encontra uma das referências mais fortes à: RESSURREIÇÃO.


A morte não encerra a história do Servo.


Ele volta a viver.


Compare com Atos 2:24: “Ao qual Deus ressuscitou, rompendo os grilhões da morte…


Isaías 53:11 — O Servo verá o resultado


Ele verá o fruto do trabalho da sua alma e ficará satisfeito…


Novamente: o Servo morreu, mas agora está vendo.


E mais: “o meu Servo, o Justo, justificará a muitos…


Aqui aparece uma palavra gigantesca: JUSTIFICAR.


Não apenas perdoar.


Justificar.


Paulo desenvolverá profundamente essa doutrina em Romanos.


Romanos 5:18–19 apresenta Cristo como aquele cuja obediência conduz muitos à justificação.


Isaías já havia apresentado o princípio.


Isaías 53:12 — A vitória


Finalmente: “Por isso, lhe darei a parte de muitos, e com os poderosos repartirá ele o despojo…


Observe como tudo mudou.


Começamos com: desprezo, rejeição, sofrimento, feridas, acusação, morte.


Terminamos com: vitória e exaltação.


E então Isaías explica novamente o motivo: “porquanto derramou a sua alma na morte e foi contado com os transgressores…


Jesus foi literalmente crucificado entre criminosos.


Marcos 15:27 relata dois ladrões crucificados com Ele.


Mas Isaías termina com algo ainda maior: “levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu.”


Na cruz, Jesus diz: “Pai, perdoa-lhes…” — Lucas 23:34.


Agora observe o desenho completo de Isaías 53


Existe uma arquitetura impressionante na profecia:


53:1 não acreditariam nele.



53:2 surgiria humildemente.



53:3seria rejeitado.



53:4carregaria nossas dores.



53:5seria ferido pelos nossos pecados.



53:6 nossas iniquidades cairiam sobre Ele.



53:7permaneceria como Cordeiro silencioso.



53:8morreria.



53:9seria sepultado com associação a um rico.



53:10depois da morte, prolongaria seus dias.



53:11 justificaria muitos.



53:12seria exaltado e intercederia pelos pecadores.


E aqui está, para mim, a chave teológica mais fascinante do capítulo: Isaías 53 não termina na cruz. Termina na vitória daquele que passou pela cruz.


A sequência é: Encarnação → rejeição → sofrimento → substituição → morte → sepultamento → vida → justificação → exaltação.


E há algo ainda mais profundo escondido nessa passagem.


Isaías 53 pode ser conectado a Gênesis 22, Êxodo 12, Levítico 16 e Daniel 9. Quando colocamos esses textos lado a lado, aparece uma linha impressionante: o cordeiro de Abraão → o cordeiro da Páscoa → o sacrifício pelo pecado → o Servo de Isaías → o Messias → Cristo.

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