
DRE e sua Relevância para as PMEs
- Open Planning

- 25 de jan.
- 4 min de leitura
A DRE — Demonstração do Resultado do Exercício — não é um capricho contábil, é o termômetro vital de qualquer PME no Brasil. Se você só olhar pro fluxo de caixa e ignorar a DRE, é como construir um edifício sem conferir se os pilares estão firmes e alinhados: pode até ficar de pé por um tempo, mas ignora os sinais de risco até ruir.
Por que a DRE é tão relevante para uma PME hoje
No contexto brasileiro atual — inflação ainda oscilante, crédito caro, consumidores seletivos e concorrência feroz — entender quanto você realmente lucra (ou perde) é mais do que importante: é sobrevivência estratégica.
1. Visão real do desempenho econômico
A DRE mostra se o negócio gerou lucro ou prejuízo em um período, e não só quanto entrou ou saiu de caixa. Isso ajuda a cortar falsas vitórias (como “tivemos bastante venda, mas o custo foi tão alto que sobrou nada”).
2. Base para decisões embasadas
Sem DRE você está “sentindo” o negócio no escuro. Com ela, você pode:
• precificar melhor;
• decidir onde reduzir custos;
• avaliar investimentos;
• preparar cenários realistas (sim, aquele modelo de planilha que ninguém abre).
3. Atrai financiadores e investidores
Nenhum banco banca crédito sólido sem ver uma DRE que faça sentido. Investidores também querem números concretos, não “achismos estratégicos”.
4. Diagnose de problemas
Você pode ver rapidamente onde dói mais: custo de produtos, despesas administrativas, vendas insuficientes etc.
5. Compliance e planejamento tributário
No Brasil, onde os tributos mordem uma parte enorme da receita, entender a DRE ajuda a planejar melhor a carga tributária e evitar surpresas com o leão.
Agora vamos ao essencial: o que realmente importa acompanhar na DRE
Principais tópicos da DRE
De forma inteligente e não entupida de jargão contábil:
Receita Líquida de Vendas
Nada de olhar para “faturamento bruto” como se fosse lucro. Receita líquidaé o que sobra depois de devoluções, descontos e impostos sobre vendas.
Custo dos Produtos/Serviços Vendidos (CPV/CSV)
Aqui você finalmente vê o que custou produzir ou adquirir o que você vendeu. É onde moram muitos problemas ocultos: fornecedores caros, desperdícios, mão-de-obra ineficiente.
Lucro Bruto
Receita Líquida menos Custo. Mostra se o core business tem margem ou está queimando dinheiro antes mesmo das despesas fixas.
Despesas Operacionais
Inclui:
• despesas administrativas;
• despesas de vendas;
• despesas com marketing;
• despesas financeiras.
Esse bloco revela se sua operação está inchada ou enxuta demais.
Resultado Operacional
Lucro (ou prejuízo) gerado pela operação principal. Aqui você vê se a gestão está funcionando no seu core business ou se vive de “trambique temporário”.
Receitas e Despesas Não Operacionais
Ganhos ou perdas que não são do dia a dia do negócio (como venda de um ativo). São importantes, mas não contam a história real da operação.
Lucro Antes do Imposto de Renda e Contribuições
Te mostra o desempenho antes dos tributos, útil para planejar ações tributáriasou investimentos.
Imposto de Renda e Contribuições
No Brasil, ignorar isso pode te levar a surpresas e até problemas com o fisco.
Lucro Líquido
O número final que responde à pergunta crítica: depois de tudo, quanto a empresa realmente lucrou?
Por que monitorar esses itens regularmente
No Brasil em 2026, quem pensa que basta olhar o saldo bancário está fadado a surpresas. A DRE transforma dados brutos em insights de gestão, ajuda a prever tendências e, mais importante, atira na ilusão de controle com base em palpites, que é exatamente o tipo de coisa que a economia atual adora punir.
Vamos ao modo execução, sem rodeio e sem contabilidade ornamental.
Segue três camadas, do essencial ao estratégico e exatamente do jeito que uma PME brasileira precisa pensar para não morrer “vendendo bem”.
A. DRE enxuta e funcional (modelo base para PME)
Essa é a DRE que gestor entende, não a que só contador ama.
1. Receita Bruta
Tudo o que foi vendido no período.
2. (-) Deduções da Receita
Impostos sobre venda (ICMS, ISS, Simples), devoluções e descontos.
Aqui morre a ilusão do “faturamos X”.
3. Receita Líquida
O dinheiro que realmente pertence à empresa.
4. (-) Custo dos Produtos ou Serviços (CPV / CSV)
Mercadoria, matéria-prima, produção, mão de obra direta.
Se isso estiver alto, não adianta vender mais: você só acelera o prejuízo.
5. Lucro Bruto
Indicador-chave de saúde do negócio.
PME sem margem é ONG mal administrada.
B. Bloco mais ignorado (e mais mortal): Despesas Operacionais
Aqui mora o colapso silencioso das PMEs.
6. Despesas Comerciais
Marketing, comissões, frete, marketplace, mídia paga.
7. Despesas Administrativas
Salários administrativos, aluguel, sistema, contador, energia, internet.
8. Resultado Operacional
Mostra se a operação se sustenta sozinha.
Resultado negativo aqui significa que o modelo está errado, não a equipe.
C. A parte que separa amador de gestor
9. Resultado Financeiro
Juros, taxas bancárias, antecipações.
No Brasil, isso cresce mais rápido que a receita se você não vigiar.
10. Resultado Antes dos Impostos
Base real para decisão estratégica.
11. Impostos sobre o Lucro
Quem não planeja isso, descobre na dor.
12. Lucro Líquido
O único número que responde à pergunta:
“Esse negócio vale o esforço?”
O que um gestor de verdade acompanha (e não só o contador)
Em 2026, não basta “fechar DRE”. É preciso ler padrões:
• Margem Bruta (%) → eficiência do core;
• Despesas Operacionais / Receita (%) → gordura ou músculo?;
• Lucro Operacional (%) → sustentabilidade real;
• Resultado Financeiro (%) → dependência de banco;
• Lucro Líquido (%) → retorno sobre a vida investida
Se esses indicadores não estão claros, a empresa está dirigindo olhando só o retrovisor.
Realidade Brasil 2026 (sem romantização)
• Crédito caro → erro pequeno vira bola de neve;
• Consumo seletivo → margem importa mais que volume;
• Carga tributária instável → DRE mensal é obrigatória;
• Digitalização → custo invisível cresce rápido
Conclusão direta: quem não gerencia por DRE, gerencia por fé e o mercado não é religioso.











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