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Violência, Feminicídio e o Paradoxo do Discurso no Brasil

  • Foto do escritor: Open Planning
    Open Planning
  • 7 de jan.
  • 2 min de leitura

Atualizado: há 4 dias

Muito se fala. Pouco se protege.

Essa é, talvez, a síntese mais honesta do debate sobre violência e feminicídio no Brasil contemporâneo.


Nos últimos anos, especialmente sob gestões alinhadas à esquerda, o discurso em defesa da mulher ganhou centralidade: campanhas, manifestos, leis, slogans e posicionamentos públicos abundam. No entanto, os indicadores de violência — com destaque para o feminicídio — seguem uma trajetória preocupante, muitas vezes crescente.


Surge, então, uma pergunta incômoda, mas necessária: vivemos um novo paradigma de proteção social ou um paradoxo entre discurso e realidade?


Quando a narrativa não encontra o chão da realidade.


Não há dúvida de que a retórica progressista coloca a mulher no centro do debate público. O problema começa quando a ênfase comunicacional não é acompanhada por políticas operacionais eficazes.


Criou-se um ambiente em que:


• leis existem, mas não são executadas com velocidade;

• medidas protetivas são concedidas, mas não fiscalizadas;

• denúncias são incentivadas, mas nem sempre protegidas;

• o agressor conhece o discurso, mas não teme a consequência.


A violência, como sabemos, não se intimida com boas intenções.

Ela responde a limites claros, presença do Estado e dissuasão real.


O Estado simbólico versus o Estado funcional


Um erro recorrente é confundir avanço moral com eficiência institucional.


Campanhas educativas são importantes. Marcos legais são necessários.


Mas nenhum deles substitui:


• policiamento presente e preparado;

• sistema judicial célere;

• punição proporcional e previsível;

• acompanhamento efetivo de casos reincidentes.


Quando o Estado se torna mais simbólico do que funcional, ele comunica valores — mas falha em proteger vidas.


A armadilha da leitura ideológica única.


Outro ponto sensível é a insistência em explicar o feminicídio exclusivamente por categorias abstratas como “machismo estrutural” ou “patriarcado sistêmico”, ignorando fatores objetivos e recorrentes:


• histórico de violência doméstica prévia;

• uso abusivo de álcool e drogas;

• reincidência criminal conhecida;

• falhas no monitoramento de agressores;

• ausência de resposta rápida após denúncias.


Ideologia pode ajudar a interpretar o mundo. Mas não pode substituir diagnóstico técnico — especialmente quando vidas estão em jogo.


Paradigma ou paradoxo?


O paradigma proposto sugere que mais discurso progressista resultaria, automaticamente, em menos violência.

Os dados, porém, indicam outra coisa.


O que vivemos é um paradoxo de narrativa: fala-se muito em proteção, mas entrega-se pouco em segurança concreta.


E a violência ocupa exatamente esse vazio.


Conclusão: menos slogan, mais Estado


A proteção da mulher não exige novos rótulos morais. Exige gestão séria, técnica e responsável.


Exige coragem para dizer que:


• discurso não substitui estrutura;

• narrativa não substitui autoridade legítima;

• intenção não substitui execução.


Em temas tão graves, a realidade sempre vence o marketing.


Violência não respeita discurso.

Violência respeita limite.


Enquanto isso não for compreendido, continuaremos debatendo narrativas — enquanto enterramos vítimas.

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