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A Realidade Perdida

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    Open Planning
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

Um caminho sombrio se forma quando os dados oficiais deixam de ser farol e passam a ser decoração institucional.


Sem estatística confiável, não há diagnóstico. Sem diagnóstico, não há política pública.

Há apenas narrativa, torcida organizada e decisões vestidas de virtude.


Quando números deixam de representar a realidade e passam a servir a discursos, o Estado não governa. Encena. Planeja-se em cima de desejos, não de fatos. Corrige-se o que não se mede. Celebra-se o que não existe.


A perda de credibilidade dos dados não é um problema técnico. É um problema moral, institucional e civilizacional.


Empresários deixam de investir porque não confiam.

Gestores privados criam seus próprios indicadores porque precisam sobreviver.

Estados e municípios operam no escuro.

O cidadão aprende, silenciosamente, a desconfiar de tudo.


E quando todos desconfiam de tudo, a sociedade não entra em debate — entra em fadiga.


A estatística deveria ser o limite da ideologia.

Quando isso se inverte, a ideologia vira método. E o método vira propaganda.


Não existe justiça social construída sobre números manipulados.

Não existe desenvolvimento sustentável baseado em dados frágeis.

Não existe futuro sólido quando o presente é maquiado.


A realidade pode ser desconfortável, dura, impopular. Mas ela é o único ponto de partida honesto.


Governos passam.

Narrativas envelhecem.

A realidade permanece e sempre cobra a conta.


Defender dados confiáveis não é ser “contra” ou “a favor” de governos. É ser a favor da verdade, da responsabilidade e do futuro.


Sem chão, não há construção.

ruína bem iluminada.

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