
A Realidade Perdida
- Open Planning

- há 2 dias
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Um caminho sombrio se forma quando os dados oficiais deixam de ser farol e passam a ser decoração institucional.
Sem estatística confiável, não há diagnóstico. Sem diagnóstico, não há política pública.
Há apenas narrativa, torcida organizada e decisões vestidas de virtude.
Quando números deixam de representar a realidade e passam a servir a discursos, o Estado não governa. Encena. Planeja-se em cima de desejos, não de fatos. Corrige-se o que não se mede. Celebra-se o que não existe.
A perda de credibilidade dos dados não é um problema técnico. É um problema moral, institucional e civilizacional.
Empresários deixam de investir porque não confiam.
Gestores privados criam seus próprios indicadores porque precisam sobreviver.
Estados e municípios operam no escuro.
O cidadão aprende, silenciosamente, a desconfiar de tudo.
E quando todos desconfiam de tudo, a sociedade não entra em debate — entra em fadiga.
A estatística deveria ser o limite da ideologia.
Quando isso se inverte, a ideologia vira método. E o método vira propaganda.
Não existe justiça social construída sobre números manipulados.
Não existe desenvolvimento sustentável baseado em dados frágeis.
Não existe futuro sólido quando o presente é maquiado.
A realidade pode ser desconfortável, dura, impopular. Mas ela é o único ponto de partida honesto.
Governos passam.
Narrativas envelhecem.
A realidade permanece e sempre cobra a conta.
Defender dados confiáveis não é ser “contra” ou “a favor” de governos. É ser a favor da verdade, da responsabilidade e do futuro.
Sem chão, não há construção.
Só ruína bem iluminada.











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