
O Conflito Entre Conselho, Controle e Aprendizagem.
- Open Planning

- 29 de jan.
- 2 min de leitura
Existe um elefante silencioso nas salas de conselho.
Ele usa terno, fala em governança e costuma pedir previsibilidade em ambientes onde ela já não existe.
O conflito entre conselho, controle e aprendizagem não é um problema de ferramenta, método ou framework. É um conflito mais profundo: cada um desses elementos parte de uma visão diferente sobre como o mundo funciona.
O conselho, em sua função legítima, existe para proteger o futuro da organização. Mas, com frequência, acaba atuando como guardião do passado que deu certo. Ao exigir certezas antes da ação, busca segurança, e sem perceber, transforma a incerteza em inimiga. O risco aqui não é o cuidado, é a aversão ao desconhecido disfarçada de prudência.
O controle nasce da lógica industrial: medir, padronizar, reduzir desvios. Em ambientes estáveis, funciona. Em contextos complexos e dinâmicos, produz um efeito colateral perigoso: as pessoas passam a otimizar indicadores, não a realidade. O plano vira dogma. O KPI vira finalidade. A organização aprende a parecer eficiente, não a se adaptar.
Já a aprendizagem é, por definição, indisciplinada. Ela exige hipótese, erro, ajuste, iteração. Ela acontece em zonas cinzentas, com decisões reversíveis e feedback rápido. Para estruturas excessivamente controladoras, isso soa como amadorismo. Para conselhos avessos ao risco, soa como irresponsabilidade.
E aqui está o paradoxo central:
as organizações dizem querer aprender, mas estruturam sua governança para punir quem aprende de verdade.
Quando o conselho exige respostas antes das perguntas, mata o aprendizado.
Quando o controle exige aderência total ao plano, transforma estratégia em liturgia.
Quando a inovação vem acompanhada do aviso “não errem”, ela vira teatrocorporativo.
Organizações mais maduras não eliminam o controle. Elas o reposicionam.
Controle deixa de ser policial e passa a ser pedagógico.
Conselhos deixam de perguntar apenas “qual é o plano?” e passam a perguntar: quais hipóteses estamos testando, com riscos limitados e aprendizados claros?
Isso exige uma mudança desconfortável: aceitar que governança não é eliminar a incerteza, mas gerenciar a ignorância de forma consciente.
No fim, o verdadeiro conflito não é entre conselho, controle e aprendizagem.
É entre manter a ilusão de domínio ou construir capacidade real de adaptação.
Organizações que escolhem a primeira opção costumam parecer sólidas… até o dia em que quebram com extrema competência.











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