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O Alvo Errado não nos Domina: Nós lhe Entregamos o Domíni

  • Foto do escritor: Open Planning
    Open Planning
  • 16 de jul.
  • 3 min de leitura

Existem momentos em que o ambiente parece cuidadosamente preparado para o erro.


As circunstâncias favorecem, as justificativas surgem com facilidade e a direção equivocada começa a parecer aceitável. É nesse ponto que nasce aquela sensação de querer “errar o alvo”, abandonar a rota correta e escolher um caminho que, embora pareça conveniente no presente, poderá produzir consequências duradouras.


Entretanto, o ambiente pode influenciar, mas não pode decidir.


A decisão entre o “sim” e o “não” é individual, intransferível e exclusivamente nossa. Podemos responsabilizar as circunstâncias, as pessoas, a cultura, a pressão ou até mesmo nossas fragilidades, mas nenhuma dessas forças elimina a responsabilidade pessoal diante das próprias escolhas.


A antiga advertência bíblica continua atual: o erro está à porta, deseja exercer domínio, mas cabe ao ser humano dominá-lo.


Essa afirmação revela algo essencial: o alvo errado não possui autoridade automática sobre nós. Ele pode seduzir, pressionar, oferecer atalhos e apresentar justificativas convincentes, mas não pode assumir o controle sem que exista, em algum nível, uma concessão da nossa vontade.


O mesmo princípio aparece no relato do Jardim do Éden. A desobediência não foi imposta pela força. Houve influência, persuasão e desejo, mas também houve decisão. O domínio do erro foi permitido por uma escolha consciente.


Essa compreensão confronta uma tendência muito comum da sociedade contemporânea: transferir para terceiros a responsabilidade por decisões pessoais.


Quando algo dá errado, frequentemente buscamos um culpado externo. Responsabilizamos o ambiente, a criação, o sistema, a família, o relacionamento ou a sociedade. Evidentemente, todos esses fatores podem exercer influência real. No entanto, influência não é domínio, e condicionamento não é ausência absoluta de escolha.


A liberdade humana não significa viver sem tentações, pressões ou conflitos. Significa possuir a capacidade de decidir mesmo quando o caminho equivocado parece mais fácil.


Por isso, dominar o alvo errado exige consciência, disciplina e responsabilidade. Exige reconhecer nossas fragilidades antes que elas sejam transformadas em justificativas. Exige também compreender que pequenas concessões podem abrir espaço para grandes perdas de direção.


Ninguém descarrila completamente de uma única vez.


Primeiro, aceita-se uma pequena distorção. Depois, normaliza-se uma justificativa. Em seguida, transforma-se exceção em hábito. Quando percebemos, aquilo que deveria ter sido dominado passou a conduzir decisões, relações e comportamentos.


Ainda assim, o ponto central permanece: o erro não assume o comando sozinho. Ele recebe espaço.


A verdadeira maturidade começa quando deixamos de perguntar apenas “quem me influenciou?” e passamos a perguntar “por que permiti que isso me dominasse?”.


Essa pergunta é desconfortável, mas libertadora.


Enquanto atribuirmos exclusivamente aos outros o poder sobre nossas escolhas, também entregaremos a eles o controle sobre nossa transformação. Quando assumimos responsabilidade, recuperamos a capacidade de mudar de direção.


No fim, o ambiente poderá estar preparado, o erro poderá estar à porta e o desejo poderá insistir.


Mas a decisão continuará sendo nossa.


O alvo errado pode desejar nos controlar. Porém, somos nós que decidimos se abriremos a porta ou se assumiremos o domínio sobre aquilo que tenta nos retirar da direção correta.


O erro pode convidar. A escolha de entrar continua sendo nossa.


Por Que Escolhemos Errar o Alvo?


A questão central não é apenas reconhecer que o alvo errado existe, mas compreender por que, mesmo sabendo das consequências, ainda escolhemos caminhar em sua direção.


Na maioria das vezes, erramos o alvo porque acreditamos que o benefício imediato é maior do que a consequência futura. O desejo fala mais alto que a consciência, o prazer momentâneo supera a disciplina, e a conveniência vence os princípios. O erro quase nunca se apresenta como destruição; ele se apresenta como uma vantagem temporária.


Além disso, existe uma inclinação humana de justificar as próprias escolhas. Procuramos razões para aliviar nossa responsabilidade, culpando as circunstâncias, outras pessoas ou o ambiente. Entretanto, a decisão continua sendo nossa, e nenhuma justificativa altera essa realidade.


Talvez a resposta mais profunda seja esta: escolhemos errar o alvo quando permitimos que nossos desejos governem nossa consciência, em vez de permitir que nossos princípios governem nossos desejos. É exatamente nesse conflito que se define o caráter, pois toda escolha revela quem realmente está no controle da nossa vida.

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