
MINUCOM — Quando o compromisso veio antes do produto

Atualizado: 31 de ago.
Na primeira década dos anos 2000, durante uma reunião no escritório da Nokia em São Paulo, eu estava diante de um profissional brasileiro, uma profissional americana e de um profissional indiano quando veio a pergunta:
— Você consegue me entregar os primeiros testes de integração em 30 dias?
Olhei fixamente para aquele trio e respondi:
— Claro.
Havia apenas um pequeno detalhe naquela resposta: o produto que faria aquela integração com a Nokia ainda não existia. Naquele momento, ele estava apenas na forma de um esboço conceitual dentro de uma apresentação em PowerPoint.
Terminada a reunião, depois dos cumprimentos de despedida, olhei para o meu então sócio e disse:
— Ótimo… agora precisamos dar vida ao produto “Minucom”.
E foi exatamente o que fizemos.
Naquele mês, especifiquei a plataforma Minucom, estruturamos seu desenvolvimento, implementamos a solução e, dentro do prazo assumido, executamos os primeiros testes de integração. Em aproximadamente 30 dias, aquilo que existia essencialmente como conceito em uma apresentação havia se transformado em uma plataforma real e funcional.
Aquele projeto específico não teve continuidade. À primeira vista, alguém poderia interpretar isso como um fracasso. Mas seria uma leitura extremamente superficial da história. O produto que nasceu para responder àquele desafio não morreu com o projeto que lhe deu origem.
Na sequência, implementamos projetos envolvendo plataformas de viagens, mercado financeiro, varejo eletrônico, bens de consumo perecíveis e outros segmentos. O desafio inicial havia produzido algo muito maior do que uma integração pontual: havia nos obrigado a construir conhecimento, tecnologia, metodologia e, principalmente, confiança em nossa capacidade de execução.
Olhando para trás, percebo que aquela reunião sintetiza muito do que significa empreender. Algumas vezes, a oportunidade aparece antes de estarmos completamente preparados para ela. Não temos todas as respostas, todos os recursos ou sequer o produto terminado. Temos uma visão, alguma experiência acumulada e uma decisão a tomar.
Naquele dia, primeiro veio o compromisso. Depois vieram as especificações, o desenvolvimento, as dificuldades, as noites de trabalho, os testes e finalmente a entrega.
Existe, evidentemente, uma linha delicada entre coragem e irresponsabilidade. Prometer aquilo que tecnicamente é impossível não é ousadia; é imprudência. Mas esperar possuir absoluta certeza antes de assumir qualquer desafio também pode ser uma maneira sofisticada de permanecer imóvel.
A Minucom nasceu exatamente nesse território: entre aquilo que ainda não existia e aquilo que sabíamos que éramos capazes de construir.
O projeto original não continuou. A história, sim.
E talvez essa seja uma das grandes lições daqueles anos: nem todo projeto que termina representa um fracasso. Alguns projetos existem justamente para construir a capacidade necessária para os próximos.
Foi uma história de desafios, riscos, aprendizado, superação e realização. Mas, sobretudo, uma história sobre algo que aprendi profissionalmente e carreguei comigo desde então: às vezes, primeiro você precisa ter coragem para dizer “sim”. Depois, precisa trabalhar como nunca para fazer esse “sim” se tornar verdade.




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