top of page

A juventude não quer mais ser representada por narrativas prontas

  • Foto do escritor: Open Planning
    Open Planning
  • 2 de jul.
  • 2 min de leitura

Durante décadas, grande parte da juventude foi tratada como extensão automática de determinados projetos ideológicos.


Partidos, universidades, movimentos sociais, empresas e instituições públicas passaram a falar em nome dos jovens antes mesmo de ouvi-los. Criaram discursos sobre suas necessidades, definiram quais causas deveriam defender e presumiram quais posições políticas deveriam assumir.


Essa lógica começou a perder força.


A juventude deixou de ser uma propriedade ideológica previsível. Tornou-se mais fragmentada, mais crítica, menos obediente aos rótulos tradicionais e, sobretudo, menos disposta a aceitar que terceiros determinem antecipadamente aquilo que ela deve pensar.


Mas romper com esse enquadramento é apenas o primeiro passo.


Agora, cabe aos próprios jovens ocupar verdadeiramente o espaço de voz que lhes pertence.


Não basta rejeitar narrativas prontas. É necessário construir uma agenda própria, definir prioridades e dizer com clareza o que esperam das instituições governamentais, das empresas, das universidades e da sociedade.


A nova geração precisa deixar de ser tratada apenas como público eleitoral, consumidor de tendências ou instrumento de mobilização política. Precisa ser reconhecida como protagonista de um projeto de futuro.


E esse protagonismo exige condições concretas.


Os jovens precisam encontrar ambientes favoráveis à formação profissional, ao acesso ao primeiro emprego, à inovação, ao empreendedorismo, à geração de renda, à autonomia financeira e ao crescimento pessoal.


Precisam de educação que prepare para a realidade, não apenas para avaliações formais.


Precisam de instituições que reduzam barreiras, em vez de criar dependência.


Precisam de segurança para empreender, previsibilidade para planejar e liberdade para desenvolver os próprios talentos.


Precisam, acima de tudo, de oportunidades reais.


Por muito tempo, o debate público ofereceu aos jovens discursos grandiosos sobre transformação social, mas entregou poucas condições para que construíssem a própria trajetória.


Falar sobre inclusão sem ampliar o acesso ao trabalho é insuficiente.


Defender diversidade sem criar oportunidades de desenvolvimento é superficial.


Celebrar a juventude enquanto se mantêm estruturas burocráticas, educacionais e econômicas que bloqueiam sua evolução é apenas retórica institucional.


A verdadeira política para os jovens não deveria se limitar a pautas simbólicas.


Deveria criar caminhos para que cada indivíduo pudesse estudar, trabalhar, empreender, crescer, conquistar autonomia e participar da construção do país.


Isso não significa que as questões culturais, sociais ou identitárias sejam irrelevantes.


Significa apenas que elas não podem substituir as necessidades concretas de uma geração que deseja construir uma vida digna, produtiva e independente.


Uma juventude madura não quer apenas ser ouvida em campanhas.


Quer participar das decisões.


Não quer apenas ser chamada para manifestações.


Quer acesso a oportunidades.


Não quer apenas discursos sobre futuro.


Quer condições para realizá-lo.


O desafio dessa geração será transformar descontentamento em posicionamento, posicionamento em participação e participação em construção.


Porque abandonar uma propriedade ideológica não significa permanecer sem direção.


Significa finalmente assumir o direito de escolher o próprio caminho.


A pergunta que permanece é simples:


As instituições estão preparadas para ouvir uma juventude que não quer mais repetir discursos, mas exigir resultados?

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação*
  • Instagram
  • Facebook
  • X
  • LinkedIn
  • Youtube
  • TikTok
  • Tópicos

©2020 por Open Planning | Gestão Empresarial Ltda. Orgulhosamente criado com Wix.com

bottom of page