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26 Anos: Quando Permanecer Deixa de Ser Promessa e se Torna História

  • Foto do escritor: Open Planning
    Open Planning
  • há 1 dia
  • 4 min de leitura

Marcelo Miragaia & Carolina Miragaia26 de agosto de 2000 a 26 de agosto de 2026


Hoje, 26 de agosto de 2026, Carolina e eu completamos 26 anos de casamento no civil. Vinte e seis anos desde que duas assinaturas formalizaram uma decisão que, na verdade, jamais poderia caber em um documento: construir uma vida juntos.


O tempo tem uma característica interessante: ele testa aquilo que as palavras afirmam.


É relativamente simples dizer “sim” diante da expectativa de uma vida que ainda será construída. Muito mais profundo é continuar dizendo esse mesmo “sim” depois de conhecer os dias extraordinários e os absolutamente comuns; depois das conquistas e das frustrações; depois dos planos que deram certo e daqueles que precisaram ser abandonados, reconstruídos ou simplesmente compreendidos.


Por isso, quando olho para esses 26 anos, duas palavras me parecem especialmente adequadas para definir nossa história: convicção e resiliência.


A convicção que sustenta a escolha


Convicção não é acreditar que tudo será fácil. Talvez seja exatamente o contrário.


Convicção é saber por que permanecer quando as circunstâncias apresentam argumentos para desistir. É compreender que relacionamentos verdadeiros não são construídos apenas sobre sentimentos, porque sentimentos oscilam. São construídos também sobre decisões, compromissos, respeito, responsabilidade e propósito.


Ao longo de 26 anos, nós mudamos.


Não somos exatamente o homem e a mulher que se casaram em 2000. E isso é natural. O tempo transforma prioridades, amadurece pensamentos, derruba certezas, cria outras e nos obriga a conhecer versões diferentes de nós mesmos.


Talvez um dos maiores desafios de um casamento seja justamente esse: continuar escolhendo alguém que está mudando enquanto nós também estamos mudando.


Amar, portanto, não significa congelar o outro na pessoa que conhecemos. Significa aprender a reconhecê-lo novamente ao longo da caminhada.


Resiliência não é ausência de cicatrizes


Existe uma romantização perigosa dos relacionamentos duradouros. Olhamos para décadas de casamento e imaginamos uma linha contínua de felicidade.


Não existe.


Toda história longa carrega marcas.


Existem divergências, períodos difíceis, preocupações, perdas, pressões, cansaços, mudanças de rota e momentos em que a vida simplesmente decide testar a resistência daquilo que construímos.


A resiliência de um casamento não está em nunca sofrer impacto. Está na capacidade de absorver o impacto sem permitir que ele destrua aquilo que possui valor.


Algumas crises quebram estruturas.


Outras revelam onde elas precisam ser reforçadas.


E talvez seja justamente por isso que chegar aos 26 anos possui um significado tão diferente daquele primeiro dia. Naquele momento existia esperança sobre aquilo que construiríamos. Hoje existem evidências daquilo que construímos.


De casal a família


Em algum momento dessa história, deixamos de ser apenas Marcelo e Carolina.


Nos tornamos pai e mãe.


E Davi passou a fazer parte dessa construção.


A chegada de um filho altera profundamente a arquitetura de um casamento. O amor deixa de circular apenas entre duas pessoas e passa a existir também na responsabilidade de formar, proteger, orientar e preparar alguém para construir a própria história.


Quando olho para nossa família, compreendo que o casamento não produziu apenas lembranças. Produziu identidade, vínculos, referências e continuidade.


Nossa história passou a existir também nele.


E talvez essa seja uma das dimensões mais bonitas do tempo: perceber que determinadas decisões tomadas décadas atrás continuam produzindo consequências muito depois daquele momento.


O casamento real


Depois de 26 anos, aprendemos que casamento não é uma fotografia.


Fotografias congelam segundos bonitos. A vida acontece justamente entre uma fotografia e outra.


Casamento é segunda-feira.


É boleto.


É trabalho.


É preocupação.


É sonho.


É cansaço.


É viagem.


É discussão.


É reconciliação.


É silêncio.


É gargalhada.


É sentar à mesma mesa depois de um dia difícil.


É olhar para trás e perceber que acontecimentos que pareciam enormes se tornaram pequenos diante da dimensão da história construída.


O extraordinário de um casamento longo talvez esteja justamente na soma desses milhares de dias aparentemente ordinários. São 26 anos • 312 meses • 1.356 semanas e 5 dias • 9.497 dias.


Porque uma vida não é construída nos grandes acontecimentos. Ela é construída principalmente naquilo que fazemos repetidamente quando ninguém está fotografando.


Permanecer também é avançar


Existe uma diferença importante entre simplesmente ficar e verdadeiramente permanecer.


Ficar pode ser inércia.


Permanecer exige consciência.


Ao longo de uma vida compartilhada, existem momentos em que permanecer significa conversar; em outros, silenciar. Às vezes significa ceder. Em outras, estabelecer limites. Algumas vezes significa reconstruir expectativas e admitir que determinada versão da vida imaginada anos atrás já não existe.


Mas continuar não significa permanecer parado.


Um casamento saudável precisa avançar.


Talvez seja essa uma das maiores lições desses 26 anos: permanecer não significa impedir a mudança; significa atravessar a mudança sem abandonar aquilo que fundamenta a caminhada.


26 anos depois


Hoje não comemoramos apenas uma data.


Comemoramos tudo aquilo que precisou acontecer para que chegássemos até ela.


Comemoramos as escolhas acertadas e aquilo que aprendemos com as erradas. As fases leves e as difíceis. As conquistas visíveis e aquelas pequenas vitórias que somente nós conhecemos.


Comemoramos aquilo que sobrevivemos.


Aquilo que construímos.


Aquilo que ainda estamos construindo.


Porque 26 anos não representam uma história concluída.


Representam uma história que resistiu ao tempo suficiente para provar que possui fundamentos — e continua aberta para receber novos capítulos.


Se pudesse resumir nossa caminhada até aqui, talvez não utilizasse uma declaração romântica sobre perfeição. Preferiria algo mais verdadeiro: Um casamento não chega aos 26 anos porque duas pessoas nunca tiveram razões para desistir. Chega porque, diante das razões, encontraram convicções maiores para continuar.


Hoje, olho para Carolina, para Davi e para tudo aquilo que existe entre o dia 26 de agosto de 2000 e este 26 de agosto de 2026.


Existe uma vida inteira nesse intervalo.


Com marcas, memórias, erros, acertos, lágrimas, risadas, enfrentamentos, amadurecimento e amor.


Não somos os mesmos que começaram.


E talvez essa seja justamente a beleza.


Mudamos. Crescemos. Resistimos. Permanecemos.


E seguimos.


Marcelo Miragaia

26 de agosto de 2026

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