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O Brasil não está caro. Está confiscado.

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    Open Planning
  • 12 de abr.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 12 de abr.

Chamar de “aumento da carga tributária” é educado demais para descrever o que está acontecendo.


O nome mais honesto talvez seja outro: estrangulamento institucionalizado da vida econômica.


Quando a carga tributária sobe para 32,4% do PIB em um país onde o endividamento e a inadimplência esmagam famílias e empresas, não estamos falando de justiça fiscal, equilíbrio social ou responsabilidade coletiva.


Estamos falando de um sistema que cobra como país rico, entrega como país desorganizado e sufoca como agiota de terno.


O brasileiro produz, consome, empreende, arrisca, trabalha, tenta crescer. E no meio do caminho é interceptado por um Estado pesado, por um crédito cruel e por uma estrutura que transforma esforço em cansaço crônico.


Essa é a verdade sem maquiagem: o Brasil virou uma máquina de moer renda, margem e futuro.


A família já não organiza mais o orçamento para crescer. Organiza para sobreviver.


A empresa já não projeta expansão com convicção. Projeta resistência com medo.


O empreendedor não pensa primeiro em inovação, escala ou competitividade.

Pensa em imposto, fluxo de caixa, parcelamento, inadimplência e em como continuar respirando sem virar estatística.


E depois ainda aparece alguém com ar técnico, planilha colorida e discurso esterilizado para chamar isso de “ajuste”, “recomposição” ou “capacidade arrecadatória”.


Não.


Isso tem nome: expropriação da vitalidade nacional.


Porque o problema nunca foi só arrecadar muito. O problema é arrecadar muito, desperdiçar muito e devolver pouco.

É exigir sacrifício de uma sociedade exausta enquanto o Estado segue operando como se fosse moralmente imune à própria ineficiência.


O cidadão paga imposto no consumo.

Paga imposto na renda.

Paga imposto para produzir.

Paga imposto para empregar.

Paga imposto embutido no básico.

E depois paga juros para tentar sobreviver ao que sobrou.


Ou seja: não basta o Estado tomar uma parte relevante da renda. O sistema inteiro se organiza para disputar o resto.


Resultado?

Menos consumo saudável.

Menos investimento produtivo.

Menos formalização.

Menos competitividade.

Menos horizonte.


Mais ansiedade.

Mais renegociação.

Mais sufoco.

Mais gente correndo cada vez mais para continuar exatamente no mesmo lugar.


E talvez a parte mais perversa seja essa: venderam durante anos a ideia de que o problema do Brasil era falta de consciência social, quando em muitos casos o problema concreto é bem mais bruto — o custo de existir legalmente, produtivamente e dignamente neste país está ficando insuportável.


Não há prosperidade sustentável onde o Estado pesa demais, o crédito custa demais e a renda vale de menos.


Não há ambiente saudável para crescimento quando o empreendedor é punido por produzir, o consumidor é punido por consumir e a classe média é punida por ainda não ter quebrado.


Isso não é robustez fiscal.

Isso não é maturidade econômica.

Isso não é pacto social.


Isso é um país empilhando cobrança em cima de fragilidade e chamando isso de normalidade.


O Brasil não está apenas com carga alta. Está com tolerância alta ao sufocamento.


E enquanto essa anomalia for tratada como dado técnico, e não como tragédia estrutural, vamos continuar assistindo ao mesmo teatro: o Estado celebrando arrecadação, o sistema financeiro celebrando juros, e a população celebrando o simples fato de ter sobrevivido ao mês.


Um país sério não pode achar isso aceitável.


Porque quando trabalhar muito, produzir muito e pagar muitonão bastam para viver com dignidade, o problema não está no esforço do povo.


Está no modelo.

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