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Mais de 230 empresas brasileiras já produzem no Paraguai. E aí, “Burocrasil”: incompetência ou escolha?

  • Foto do escritor: Open Planning
    Open Planning
  • 12 de jun.
  • 2 min de leitura

Quando uma empresa decide atravessar a fronteira para produzir no Paraguai, ela não está apenas procurando pagar menos impostos. Ela está procurando algo que se tornou raro no Brasil: previsibilidade.


O empresário brasileiro convive diariamente com uma combinação quase insustentável de burocracia, insegurança jurídica, complexidade tributária, custos trabalhistas indiretos, infraestrutura deficiente e um Estado que frequentemente trata quem produz como suspeito antes de tratá-lo como parceiro.


O resultado é simples:


Enquanto o discurso oficial fala em desenvolvimento, o capital faz as malas.


O Paraguai oferece menos burocracia, tributação mais simples, energia barata, agilidade regulatória e um ambiente mais amigável para a indústria. Não porque seja um país mais rico ou mais sofisticado. Mas porque compreendeu uma verdade básica: riqueza é produzida por quem empreende, investe e gera empregos.


A pergunta que fica é desconfortável:


Como um país continental, com recursos naturais abundantes, mercado consumidor gigantesco e uma das maiores economias do mundo consegue perder investimentos para um vizinho muito menor?


Em algum momento, deixa de ser apenas incompetência administrativa.


Quando os problemas são conhecidos há décadas, os diagnósticos são amplamente divulgados e as soluções estão disponíveis, mas nada muda de forma estrutural, surge uma dúvida legítima: estamos diante de falhas de gestão ou de um modelo que se alimenta da própria complexidade?


Empresas não têm ideologia quando precisam sobreviver.


Elas fazem contas.


E as contas estão mostrando que produzir fora do Brasil, em muitos casos, tornou-se mais racional do que produzir dentro dele.


O verdadeiro prejuízo não é a mudança do endereço de uma fábrica.


É a perda de empregos, renda, tecnologia, arrecadação futura e oportunidades para milhões de brasileiros.


Enquanto isso, seguimos discutindo narrativas.


O mercado segue discutindo custos.


E, no final, são os custos que determinam onde o investimento será realizado.


A pergunta continua aberta:


Se tantas empresas estão saindo, o problema é falta de capacidade para corrigir o ambiente de negócios ou falta de interesse em corrigi-lo?

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