
Um Legado que Ninguém pode Suprimir.
- Open Planning

- 26 de fev.
- 2 min de leitura
No último dia 22/02/2026, próximo de completar 89 anos, meu querido pai, Sérgio Augusto, faleceu. Gostaria de manifestar minha imensurável gratidão e o privilégio de ser seu filho e de tê-lo como pai durante 60 anos, por meio desta singela homenagem do meu querido filho Davi ao seu avô paterno.
“Vô, escrever isso não está sendo fácil. Normalmente tenho facilidade em organizar palavras e colocá-las no papel, mas desta vez já é a quarta ou quinta tentativa. O senhor partiu, e isso é terrível. Saber que nunca mais poderei pedir um conselho ou simplesmente conversar com o senhor é algo profundamente difícil.
Mesmo que, nos últimos anos, a vida já tivesse nos imposto certas limitações, a ausência é diferente. Definitiva. Estranha. A morte sempre foi uma visitante inconveniente que chega sem aviso, leva sem negociação. E mesmo quando esperamos por ela, quando achamos que estamos preparados, sua chegada ainda nos surpreende.
Mas hoje não quero falar apenas da dor. Quero agradecer. Agradecer por cada ensinamento, por cada gesto, por cada pedaço de sabedoria que o senhor deixou em mim. O senhor não foi o melhor avô por ser perfeito, mas justamente por ser humano. Pelas falhas, pelos erros assumidos, pelas lições extraídas da própria vida. O senhor nos ensinou algo raro: que acertar é importante, mas aprender com o erro é transformador.
Com o senhor, aprendi sobre perseverança, sobre inteligência emocional, sobre responsabilidade. Aprendi que responsabilidade não é um peso imposto, mas algo que nasce de dentro, um chamado silencioso que nem todos escutam. Ela não se cria, ela se reconhece.
Já tive muito medo da morte. Hoje a enxergo de outra forma. A saudade dos Natais, das Páscoas, dos encontros, será imensa. Mas carrego comigo a serenidade de saber que o senhor cumpriu sua missão, que sua história permanece viva em nós.
Obrigado, vô. Por tudo. Pelos ensinamentos, pela presença, pelas marcas invisíveis que moldaram quem sou. E obrigado pela herança mais curiosa e impossível de replicar: seus olhos verdes, que agora seguem olhando o mundo através de mim.
Existe algo quase cósmico na ideia de que certas pessoas continuam existindo como estruturas internas. Elas saem do cenário físico, mas viram parte da arquitetura mental da gente. Não estão mais no mundo passam a ser o mundo dentro de nós.”




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