
Sou Miragaia: quando um sobrenome se transforma em memória e responsabilidade
- Open Planning

- 8 de jul.
- 2 min de leitura
Neste dia, 9 de julho de 2026, conecto-me a um acontecimento iniciado exatamente 94 anos antes. Não apenas como brasileiro ou paulista, mas como alguém que carrega em sua ancestralidade um dos nomes eternizados naquele movimento: Miragaia.
Em 9 de julho de 1932, teve início a Revolução Constitucionalista, movimento que se levantou contra o Governo Provisório de Getúlio Vargas, que governava o Brasil sem uma Constituição vigente. Entre as principais reivindicações estavam a convocação de uma Assembleia Constituinte, a realização de eleições e a restauração da ordem constitucional brasileira. (ALESP)
Poucos meses antes, em 23 de maio, quatro jovens foram mortos durante uma manifestação em São Paulo: Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo. As iniciais de seus sobrenomes formaram a sigla MMDC, que se tornaria símbolo de mobilização, resistência e defesa da causa constitucionalista. (ALESP)
Entre eles estava Euclides Bueno Miragaia.
Por isso, quando observo essa história, não a enxergo apenas como uma passagem registrada nos livros. Existe nela uma ligação familiar, humana e ancestral. Um sobrenome não representa somente uma sequência de letras: ele pode carregar escolhas, valores, sacrifícios e marcas deixadas por aqueles que vieram antes de nós.
Carregar o nome Miragaia significa reconhecer que a liberdade política e a ordem constitucional nunca devem ser tratadas como conquistas permanentes ou automáticas. Elas precisam ser protegidas por cada geração.
A Constituição deve existir como limite ao poder, garantia das liberdades individuais e proteção contra qualquer tentativa de centralização autoritária. Governos passam, líderes passam e ideologias passam. As instituições, entretanto, precisam permanecer fortes o suficiente para impedir que o poder se transforme em propriedade daqueles que temporariamente o exercem.
A Revolução Constitucionalista foi militarmente derrotada, mas sua causa não desapareceu. Posteriormente, o Brasil convocou uma Assembleia Constituinte e promulgou uma nova Constituição, em 1934. Isso demonstra que existem derrotas circunstanciais capazes de produzir consequências históricas muito maiores do que uma vitória imediata. (Wikipédia)
Recordar 1932 não significa desejar novamente o confronto. Significa compreender o preço que outras gerações pagaram para que hoje possamos defender nossas ideias dentro das instituições, das leis e do debate democrático.
A verdadeira homenagem não está apenas nas cerimônias, monumentos ou discursos. Está na disposição de continuar defendendo uma sociedade em que nenhum governante esteja acima da Constituição e nenhum cidadão esteja abaixo dela.
Em 9 de julho de 2026, não estou apenas recordando uma data.
Estou reconhecendo uma herança.
Uma herança que não me concede superioridade, mas responsabilidade. Que não deve alimentar vaidade, mas consciência. Que não me prende ao passado, mas me convoca a compreender o presente e a participar da construção do futuro.
Há 94 anos, homens e mulheres se levantaram contra a centralização do poder e em defesa da constitucionalização do Brasil.
Hoje, ao olhar para essa história, reconheço nela parte da minha própria identidade.
Sou memória.
Sou ancestralidade.
Sou continuidade.
Sou Miragaia.




Comentários