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Ser Voz em Meio ao Ruído: João Batista, Propósito e os Desafios da Publicidade

  • Foto do escritor: Open Planning
    Open Planning
  • 28 de jun.
  • 2 min de leitura

Quando eu, Marcelo Miragaia, me identifico com a pessoa de João Batista, não estabeleço uma comparação de grandeza espiritual, histórica ou ministerial. Encontro, porém, em sua trajetória, princípios que ajudam a interpretar os desafios vividos por mim como pessoa e, principalmente, como profissional da publicidade: a coragem de comunicar verdades, a responsabilidade de preparar caminhos e a disposição de sustentar uma mensagem mesmo quando ela contraria interesses, convenções e estruturas de poder.


João Batista surgiu como uma voz no deserto. Sua relevância não estava no ambiente favorável, na aprovação popular ou na proteção das autoridades. Sua força estava na clareza de sua missão. Ele sabia quem era, compreendia o que precisava anunciar e não permitia que o desejo de reconhecimento substituísse o propósito de sua comunicação. Em um tempo marcado por ruídos, disputas de narrativa e interesses políticos, ele permaneceu fiel à essência da mensagem.


Essa postura dialoga profundamente com o exercício da publicidade. O publicitário também trabalha com palavras, imagens, símbolos, percepções e comportamentos. Sua atuação pode construir reputações, transformar marcas, despertar desejos e influenciar decisões. Entretanto, quanto maior o poder de comunicar, maior deve ser a responsabilidade sobre aquilo que se comunica. A publicidade não é apenas uma atividade estética ou comercial; ela também possui consequências sociais, culturais e humanas.


O grande conflito profissional surge quando a verdade da mensagem precisa enfrentar a conveniência do mercado. Existem momentos em que o comunicador é pressionado a suavizar fatos, maquiar realidades, repetir discursos vazios ou transformar interesses particulares em supostas verdades coletivas. Nesse cenário, a figura de João Batista representa a coragem de não negociar a consciência para conquistar aceitação.


João Batista também compreendia que sua missão era preparar caminhos, e não ocupar o centro permanentemente. Essa percepção é especialmente necessária em uma profissão frequentemente marcada pela vaidade, pela busca por visibilidade e pela necessidade de reconhecimento. O verdadeiro comunicador não deveria transformar seu ego no conteúdo principal. Seu papel é criar conexões, revelar propósitos, orientar percepções e conduzir pessoas à compreensão de algo maior do que sua própria imagem.


Ao longo da vida profissional, defender uma comunicação íntegra pode gerar isolamento, incompreensão e resistência. A verdade raramente é confortável para quem se beneficia da aparência. Questionar modelos, enfrentar narrativas estabelecidas e recusar manipulações pode custar oportunidades. Contudo, aceitar tudo em nome da sobrevivência profissional também possui um preço: a perda gradual da identidade, da credibilidade e do propósito.


Identificar-me com João Batista significa compreender que não fui chamado apenas para produzir mensagens atraentes, mas para defender uma comunicação consciente, humana e verdadeira. Significa reconhecer que a publicidade pode vender produtos, mas também pode transmitir valores; pode estimular o consumo, mas também pode despertar reflexão; pode alimentar ilusões, mas igualmente pode iluminar realidades.


Em um mercado no qual muitos desejam apenas ser ouvidos, o verdadeiro desafio é ter algo relevante, responsável e coerente para dizer. A voz pode até surgir no deserto, enfrentar rejeições e incomodar estruturas. Mas, quando nasce do propósito e permanece alinhada à verdade, ela não se perde no ruído: ela prepara caminhos.

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