
O Brigadeiro de R$ 12,50 e a Autólise Silenciosa da Economia
- Open Planning

- 13 de mai.
- 2 min de leitura
Existe algo extremamente simbólico acontecendo dentro do comércio brasileiro… e poucos estão percebendo.
Quando um brigadeiro médio passa a custar R$ 12,50 em um bairro classe média e média alta não estamos falando apenas de um doce. Estamos olhando para um sintoma econômico muito maior.
O problema nunca é o produto isolado. O problema é o que ele representa dentro da estrutura econômica e social de um país.
Porque toda economia em desequilíbrio começa a produzir distorções silenciosas: o básico vira luxo, o simples vira experiência premium, o essencial começa a pesar no bolso e o consumidor passa a negociar consigo mesmo aquilo que antes era trivial.
O mais curioso é observar como o mercado cria narrativas sofisticadas para normalizar esse processo.
Chamam de:
“reposicionamento de marca”
“experiência gourmet”
“consumo afetivo”
“premiumização”
Mas em muitos casos o que existe por trás disso é algo muito menos glamouroso: perda de poder de compra.
E aqui começa um fenômeno perigoso: a sociedade vai se adaptando lentamente à deterioração.
As pessoas passam a:
• consumir menos;
• parcelar mais;
• abrir mão do básico;
• reduzir qualidade de vida;
• aceitar preços absurdos como se fossem normais.
E enquanto isso: o trabalhador perde capacidade financeira, o pequeno empresário perde margem, o varejo perde profundidade, e a economia começa a entrar em um processo de autólise.
Na biologia, autólise é quando um organismo começa a consumir a si próprio internamente.
Na economia acontece parecido.
O sistema vai corroendo: o consumo, a previsibilidade, a estabilidade, a confiança, e principalmente a relação saudável entre esforço, renda e capacidade de viver.
O brigadeiro de R$ 12,50 não é o problema.
Ele apenas revela que talvez o Brasil esteja aprendendo a conviver com distorções econômicas profundas… enquanto finge chamar isso de evolução.
E toda sociedade que normaliza a perda gradual do seu próprio poder de compra… começa a perder algo muito maior do que dinheiro: perde percepção da realidade.




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