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Não me oponho às igrejas. Oponho-me ao que fizeram com elas.

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    Open Planning
  • 4 de jul.
  • 2 min de leitura

Recentemente, fui questionado se hoje me oponho às igrejas. Minha resposta é clara: definitivamente, não.


Não me oponho à Igreja, à comunhão cristã, à reunião dos que professam a fé em Jesus Cristo ou ao papel espiritual, social e humano que uma comunidade de fé pode exercer. Ao contrário, reconheço sua importância e compreendo sua missão.


O que me causa oposição é a maneira como muitos líderes religiosos têm conduzido essas instituições.


Em muitos lugares, a mensagem do Evangelho foi substituída por estratégias de poder. A simplicidade da fé deu lugar à vaidade. O serviço foi trocado pelo protagonismo pessoal. A consciência foi substituída pela obediência cega, e a comunhão, por estruturas que frequentemente protegem posições, títulos e interesses.


Quando a Igreja deixa de apontar para Cristo e passa a girar em torno de líderes, marcas, performances e projetos pessoais, ela perde sua essência.


Minha crítica, portanto, não nasce de desprezo pela Igreja, mas de respeito pelo que ela deveria representar.


Não sou contrário à existência das igrejas. Sou contrário à manipulação da fé, à exploração emocional, ao culto à personalidade, à mercantilização do sagrado e à utilização do nome de Deus como instrumento de controle.


A Igreja deveria ser um ambiente de transformação, acolhimento, verdade, serviço e amadurecimento espiritual. Deveria formar pessoas conscientes, responsáveis e comprometidas com o amor, e não seguidores dependentes da aprovação de uma liderança.


Questionar práticas religiosas não é abandonar a fé. Em muitos casos, é justamente uma forma de preservá-la.


A verdadeira fé não teme perguntas, não exige submissão irracional e não precisa manipular pessoas para permanecer relevante. Ela se sustenta na verdade, na coerência e no exemplo.


Por isso, não me oponho às igrejas.


Oponho-me ao que muitos fizeram com elas.


E, talvez, a crítica mais legítima seja justamente aquela feita por quem ainda acredita que a Igreja pode voltar a ser aquilo que nunca deveria ter deixado de ser.

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