
Enquanto você sofre pela Copa, alguém está faturando com a sua emoção
- Open Planning

- 6 de jul.
- 2 min de leitura
Perdendo ou ganhando a Copa, existe um grupo que quase nunca perde: quem transformou a paixão popular em modelo de negócio.
Empresas, patrocinadores, plataformas, emissoras, marcas, agentes, investidores e casas de aposta entendem algo que boa parte da população ainda não percebeu: emoção também é ativo econômico.
Enquanto milhões choram, xingam, culpam o técnico, atacam jogadores e passam horas analisando uma partida, outros analisam audiência, comportamento, consumo, engajamento e lucro.
Uns discutem a escalação.
Outros calculam o faturamento.
Uns defendem uma camisa como se a própria honra estivesse em campo.
Outros usam essa devoção para vender produtos, contratos, publicidade e influência.
O problema não está em gostar de futebol, torcer ou celebrar. O problema começa quando o entretenimento ocupa o lugar da consciência, da estratégia e da construção da própria vida.
Uma sociedade excessivamente distraída é uma sociedade economicamente vulnerável. Ela consome mais do que produz, reage mais do que planeja e procura culpados com muito mais facilidade do que procura oportunidades.
É mais confortável discutir o erro de um jogador do que reconhecer os próprios erros financeiros.
É mais fácil criticar o técnico do que desenvolver disciplina.
É mais simples culpar o árbitro do que admitir que, fora do estádio, também estamos jogando sem estratégia.
O futebol é espetáculo, identidade e cultura. Mas também é indústria. E toda indústria prospera quando existe uma multidão emocionalmente envolvida, consumindo sem perceber que o verdadeiro jogo acontece longe do gramado.
A pergunta, portanto, não é apenas quem ganhou ou perdeu a Copa.
A pergunta é: enquanto o mundo transformava a sua emoção em dinheiro, o que você estava construindo?
Porque, no fim, alguns levantam taças.
Outros levantam patrimônios.
E a maioria apenas levanta a voz.




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