
Condenar o Lucro é Institucionalizar a Pobreza
- Open Planning

- 27 de jun.
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“Condenar o lucro é defender o retrocesso da humanidade. Ludwig von Mises - economista austríaco.
Poucas contradições são tão evidentes quanto a de sociedades que condenam o lucro em público, mas dependem dele silenciosamente para sustentar o próprio Estado, financiar políticas públicas e manter estruturas de poder. O discurso demoniza a geração de riqueza, enquanto a prática arrecada impostos sobre empresas, salários, investimentos, consumo e produção. Em outras palavras: critica-se a fonte, mas disputa-se avidamente a água.
O lucro legítimo não é uma deformação moral do mercado. É o resultado de uma atividade capaz de oferecer valor, atender necessidades, organizar recursos e assumir riscos. Quando uma empresa lucra de maneira ética, produtiva e transparente, significa que conseguiu entregar algo pelo qual outras pessoas decidiram pagar. Essa diferença positiva permite reinvestimento, expansão, contratação, inovação e melhoria contínua.
Sem lucro, não há sustentabilidade empresarial. Sem empresas sustentáveis, não existem empregos duradouros, arrecadação consistente, desenvolvimento tecnológico nem crescimento econômico real. Uma organização que não gera resultado pode até sobreviver temporariamente por meio de subsídios, endividamento ou favores políticos, mas cedo ou tarde a conta chega. A matemática, ao contrário da narrativa ideológica, raramente se comove.
O problema não está no lucro, mas na forma como ele é obtido. Corrupção, exploração, monopólios protegidos, privilégios estatais e relações obscuras não representam o mercado saudável; representam sua distorção. Confundir lucro legítimo com enriquecimento ilícito é uma estratégia conveniente para atacar quem produz enquanto se preserva quem lucra pela proximidade com o poder.
Países subdesenvolvidos frequentemente cometem esse erro. Em vez de criarem ambientes favoráveis ao empreendedorismo, à segurança jurídica, à produtividade e à inovação, transformam o empresário em suspeito, o investidor em inimigo e a prosperidade em culpa. O resultado é previsível: fuga de capital, informalidade, baixa competitividade, desemprego e dependência crescente do Estado.
A pobreza não é vencida por sua romantização. Também não é superada por discursos que tratam a escassez como virtude e a riqueza como pecado. Ela é combatida pela ampliação das oportunidades, pela geração de empregos, pelo acesso à educação, pelo aumento da produtividade e pela criação de condições para que pessoas e empresas possam prosperar.
Há ainda uma perversidade adicional: muitos dos que condenam o lucro vivem confortavelmente dos recursos produzidos por aqueles que atacam. Sustentam narrativas contra o capital enquanto usufruem de tecnologias, serviços, estruturas e benefícios que só existem porque alguém investiu, assumiu riscos e buscou retorno. É uma espécie de anticapitalismo patrocinado pelo próprio capitalismo — uma ironia sofisticada, embora nada inédita.
Defender o lucro não significa defender a ganância, a ausência de limites ou a indiferença social. Significa reconhecer que resultados positivos são indispensáveis para qualquer projeto sustentável. Empresas precisam lucrar, profissionais precisam prosperar e países precisam produzir riqueza antes de distribuí-la. Não existe justiça social duradoura sobre uma economia permanentemente improdutiva.
Uma sociedade verdadeiramente comprometida com o desenvolvimento não condena o lucro: exige que ele seja legítimo, ético, competitivo e gerador de valor. Em vez de punir quem produz, combate privilégios. Em vez de hostilizar o empreendedor, cria segurança para que ele invista. Em vez de administrar a pobreza como instrumento político, promove liberdade para que as pessoas possam superá-la.
Condenar o lucro não elimina a desigualdade, não cria empregos e não gera desenvolvimento. Apenas enfraquece os mecanismos capazes de financiar o progresso. A pobreza não precisa de narrativas que a preservem. Precisa de produtividade, liberdade, responsabilidade e geração de riqueza.
Porque antes de distribuir prosperidade, é necessário permitir que ela seja produzida.




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