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A inclusão termina onde começa a diferença real?

  • Foto do escritor: Open Planning
    Open Planning
  • 30 de jun.
  • 2 min de leitura

Sou disléxico, casado com uma mulher disléxica e pai de um disléxico. Portanto, a dislexia não é, para mim, apenas um conceito clínico, um tema educacional ou uma pauta corporativa. Ela faz parte da nossa realidade familiar, profissional e social.


Vivemos diariamente o abismo existente entre o discurso da inclusão e sua aplicação prática.


Muito se fala sobre o direito de cada pessoa ser diferente. Empresas promovem campanhas, criam comitês, divulgam compromissos institucionais e constroem narrativas sobre diversidade. Entretanto, quando a diferença está relacionada à forma de aprender, interpretar, comunicar, organizar informações ou executar determinadas tarefas, a inclusão frequentemente perde força.


O profissional disléxico pode ser extremamente criativo, estratégico, intuitivo e habilidoso na resolução de problemas. Pode enxergar conexões que outras pessoas não percebem, desenvolver pensamentos visuais sofisticados e encontrar caminhos pouco convencionais para desafios complexos.


Ao mesmo tempo, pode apresentar dificuldades com leitura rápida, escrita, memorização de sequências, interpretação de instruções confusas ou execução de atividades excessivamente burocráticas.


Isso não significa ausência de capacidade.


Significa apenas que sua inteligência não se manifesta obrigatoriamente pelos mesmos caminhos utilizados pela maioria.


Ainda assim, muitas empresas continuam avaliando pessoas a partir de modelos rígidos, padronizados e pouco sensíveis às diferentes formas de funcionamento cognitivo. Processos seletivos, treinamentos, avaliações de desempenho, sistemas internos e comunicações são estruturados como se todos pensassem, aprendessem e produzissem da mesma maneira.


Não pensam.


Não aprendem.


E não deveriam ser obrigados a produzir da mesma forma.


Incluir uma pessoa neurodivergente não significa reduzir expectativas, ignorar resultados ou criar privilégios. Significa remover barreiras desnecessárias para que suas competências possam aparecer.


Isso pode envolver instruções mais objetivas, materiais visuais, revisão de textos, tempo adequado para determinadas atividades, ferramentas tecnológicas, avaliações baseadas em resultados e líderes preparados para compreender diferenças sem transformá-las em fraquezas.


A verdadeira inclusão não acontece quando a empresa apenas aceita o diferente.


Ela acontece quando o ambiente é capaz de permitir que o diferente participe, contribua, cresça e seja reconhecido por aquilo que consegue entregar.


O maior erro das organizações é tentar encaixar talentos diferentes em estruturas iguais.


Porque diversidade sem adaptação é apenas presença.


Diversidade sem oportunidade é apenas estatística.


E inclusão sem prática é apenas publicidade corporativa.

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