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A Geração Que Está Cansanda do “Trabalho Sem Presença”

  • Foto do escritor: Open Planning
    Open Planning
  • 13 de mai.
  • 2 min de leitura

Recentemente perguntei para um jovem de 24 anos, estudante de Arquitetura e Urbanismo e estagiando em um escritório:


— “E o trabalho em Home Office?


A resposta veio rápida, seca e sem filtro:


— “Nada a ver.


E sinceramente?

Aquilo disse mais sobre o momento atual do mercado do que muitos relatórios corporativos.


Durante anos venderam a ideia de que o futuro profissional seria totalmente remoto, digital e descentralizado. Como se presença física fosse um detalhe ultrapassado e convivência profissional algo substituível por chamadas no Meet e mensagens no Teams.


Mas existe uma diferença brutal entre: executar tarefas e formar profissionais.


Principalmente em áreas como arquitetura.


Arquitetura não se aprende apenas em software, tutorial ou render bonito. Arquitetura também é repertório humano, observação, troca, discussão, percepção espacial e convivência prática.


É ver alguém resolvendo problema sob pressão. É escutar uma conversa técnica acontecendo do outro lado da mesa. É perceber erros antes mesmo que alguém explique. É aprender até no silêncio do escritório.


Existe um tipo de aprendizado invisível que o Home Office simplesmente não entrega com a mesma força: a absorção do ambiente.


E talvez o mercado esteja começando a perceber isso tarde demais.


Criamos uma geração extremamente conectada digitalmente… mas, em muitos casos, pobre em convivência profissional real.


Muitos jovens não querem apenas “flexibilidade”. Querem crescimento. Mentoria. Troca. Pertencimento. Construção de identidade profissional.


Porque chega uma hora em que: participar de call não substitui presença, mensagem não substitui convivência e autonomia sem direção vira isolamento sofisticado.


O Home Office tem seu valor? Claro que tem. Principalmente para profissionais maduros, organizados e tecnicamente consolidados.


Mas transformar isso em modelo absoluto talvez tenha sido mais uma fantasia corporativa moderna do que uma evolução saudável do trabalho.


No fim, aquela resposta simples: “Home Office? Nada a ver…” talvez seja apenas o reflexo de uma geração começando a perceber que carreira não é apenas entrega.


É ambiente.

É troca.

É energia.

É convivência.

É presença.


E algumas profissões simplesmente perdem potência quando tudo vira tela.

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